{"id":30437,"date":"2020-07-09T14:26:39","date_gmt":"2020-07-09T17:26:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tjes.jus.br\/corregedoria\/?p=30437"},"modified":"2020-07-09T14:26:39","modified_gmt":"2020-07-09T17:26:39","slug":"oficio-circular-cgjes-0437484-2020-disp-09-07-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tjes.jus.br\/corregedoria\/2020\/07\/09\/oficio-circular-cgjes-0437484-2020-disp-09-07-2020\/","title":{"rendered":"OF\u00cdCIO CIRCULAR CGJES 0437484\/2020 \u2013 DISP. 09\/07\/2020"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>OF\u00cdCIO CIRCULAR CGJES\u00a00437484\/7003082-23.2020.8.08.0000<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Exmo. Sr. Desembargador Corregedor Geral da Justi\u00e7a do Estado do Esp\u00edrito Santo, Desembargador\u00a0<strong>NEY BATISTA COUTINHO<\/strong>\u00a0no uso de suas atribui\u00e7\u00f5es legais e:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONSIDERANDO<\/strong>\u00a0que a Corregedoria Geral da Justi\u00e7a \u00e9 \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, disciplina e orienta\u00e7\u00e3o administrativa do foro judicial, com jurisdi\u00e7\u00e3o em todo o Estado, conforme artigo 35 da Lei Complementar Estadual n.\u00ba 234\/2002 (COJES);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONSIDERANDO<\/strong>\u00a0o <a href=\"https:\/\/www.tjes.jus.br\/corregedoria\/2020\/02\/07\/oficio-circular-no-18-2020-disp-07-02-2020\/\">Of\u00edcio Circular n\u00ba 18\/2020<\/a>, encaminhado pela\u00a0Autoridade Central Administrativa Federal (ACAF-ADO\u00c7\u00c3O), atrav\u00e9s do qual a referida autoridade, em s\u00edntese, requer que seja dada publicidade, no \u00e2mbito do Poder Judici\u00e1rio do Estado do Esp\u00edrito Santo, aos ju\u00edzos respons\u00e1veis por processar ado\u00e7\u00f5es, sobre os riscos do deferimento de ado\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas simuladas, quando deveriam ser deferidas ado\u00e7\u00f5es internacionais, uma vez que tal situa\u00e7\u00e3o acarreta graves consequ\u00eancias para a migra\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONSIDERANDO\u00a0<\/strong>o crescente n\u00famero de casos recebidos pela Autoridade Central Administrativa Federal &#8211; ACAF relativos \u00e0 irregularidade migrat\u00f3ria de menores adotados no Brasil em seus pa\u00edses de acolhida;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONSIDERANDO<\/strong>\u00a0a Decis\u00e3o\/Of\u00edcio desta Corregedoria Geral da Justi\u00e7a, proferida no Processo SEI n\u00ba 7003082-23.2020.8.08.0000;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RESOLVE:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. DAR CI\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos magistrados (as) do Estado do Esp\u00edrito Santo, com compet\u00eancia para julgar processos de ado\u00e7\u00e3o, que existe a\u00a0possibilidade efetiva de que uma senten\u00e7a de ado\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica proferida no Brasil n\u00e3o seja automaticamente reconhecida nos pa\u00edses de acolhida, por n\u00e3o ter seguido os procedimentos previstos na Conven\u00e7\u00e3o da Haia de 1993 e, portanto, n\u00e3o contar com Certificado de Conformidade, segundo o artigo 23, do referido instrumento, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a regularidade migrat\u00f3ria do menor adotado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ado\u00e7\u00e3o internacional, nos termos do artigo 51, da Lei 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente), \u00e9 aquela na qual o pretendente possui resid\u00eancia habitual em pa\u00eds-parte da Conven\u00e7\u00e3o de Haia, de 29 de maio de 1993, relativa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e \u00e0 Coopera\u00e7\u00e3o em Mat\u00e9ria de Ado\u00e7\u00e3o Internacional, promulgada pelo Decreto n\u00b0 3.087, de 21 junho de 1999, para os interessados em\u00a0ado\u00e7\u00e3o de\u00a0crian\u00e7a em outro pa\u00eds-parte da Conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo 2\u00ba, da Conven\u00e7\u00e3o da Haia de 1993, disp\u00f5e que esta ser\u00e1 aplicada &#8220;<em>quando uma crian\u00e7a com resid\u00eancia habitual em um Estado Contratante (&#8220;o Estado de origem&#8221;) tiver sido, for, ou deva ser deslocada para outro Estado Contratante (&#8220;o Estado de acolhida&#8221;), quer ap\u00f3s sua ado\u00e7\u00e3o no Estado de origem por c\u00f4njuges ou por uma pessoa residente habitualmente no Estado de acolhida, quer para que essa ado\u00e7\u00e3o seja realizada, no Estado de acolhida ou no Estado de origem<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o que define uma ado\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que o adotado e o pretendente \u00e0 ado\u00e7\u00e3o possuem pa\u00edses de resid\u00eancia habitual diferentes. A eventual coincid\u00eancia entre a nacionalidade de ambos \u00e9 irrelevante para o fim de sua categoriza\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) como ado\u00e7\u00e3o internacional. O \u00fanico elemento de conex\u00e3o para fins de configura\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o internacional,\u00a0em substitui\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e0 ado\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica,\u00a0\u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que adotante e adotado residem em pa\u00edses diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Conven\u00e7\u00e3o da Haia sobre Ado\u00e7\u00e3o visa proteger as crian\u00e7as e respectivas fam\u00edlias contra os riscos de uma ado\u00e7\u00e3o ilegal, irregular, prematura ou mal preparada, a n\u00edvel internacional e procura tamb\u00e9m prevenir o rapto, o com\u00e9rcio ou tr\u00e1fico de crian\u00e7as. Funciona atrav\u00e9s de um sistema internacional de Autoridades Centrais, e estabelece os procedimentos comuns para a aplica\u00e7\u00e3o do instituto da ado\u00e7\u00e3o, visando assim proteger os direitos fundamentais de crian\u00e7as e adolescentes, facilitando\u00a0o reconhecimento das ado\u00e7\u00f5es nos outros pa\u00edses e os tr\u00e2mites migrat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Autoridade Central Administrativa Federal &#8211; ACAF n\u00e3o disp\u00f5e de mecanismo, pela via da coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional, para solucionar a situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria irregular de crian\u00e7as adotadas irregularmente, restando a elas, permanentemente, tanto o risco de deporta\u00e7\u00e3o quanto a impossibilidade de serem reconhecidas, para todos os fins, como filhos leg\u00edtimos dos adotantes em territ\u00f3rio dos Estados de acolhida, ainda que a senten\u00e7a de ado\u00e7\u00e3o brasileira seja homologada pela Justi\u00e7a daqueles pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. ORIENTAR<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Ju\u00edzos com compet\u00eancia para julgar a\u00e7\u00f5es de ado\u00e7\u00e3o que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; indefiram pedidos de habilita\u00e7\u00e3o de pretendentes com resid\u00eancia habitual no exterior, ainda que brasileiros;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; extinguam, sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito ou julguem improcedentes, pedidos de ado\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica quando constatarem que os pretendentes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(a) residem no exterior e\/ou;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(b) planejam residir no exterior ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; que conhe\u00e7am o conceito de ado\u00e7\u00e3o internacional e sua procedimentaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Publique-se<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Vit\u00f3ria\/ES, 22 de junho de 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Corregedor Geral da Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/sistemas.tjes.jus.br\/ediario\/images\/Di%C3%A1rio_da_Justi%C3%A7a\/CEJA_ES\/OF%C3%8DCIO_CIRCULAR_CGJES_0437484_7003082-23.2020.8.08.0000.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ANEXO<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OF\u00cdCIO CIRCULAR CGJES\u00a00437484\/7003082-23.2020.8.08.0000 &nbsp; &nbsp; O Exmo. 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