EMES - Escola da Magistratura do Estado do Espírito Santo

Enfrentamento ao racismo e à discriminação em práticas linguísticas cotidianas

Enfrentamento ao racismo e à discriminação em práticas linguísticas cotidianas

Enfrentamento ao racismo e à discriminação em práticas linguísticas cotidianas

Enfrentamento ao racismo e à discriminação em práticas linguísticas cotidianas

CARLOS JOSE LONTRA MARQUES

A presença de expressões discriminatórias na linguagem cotidiana o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) a lançar o Glossário às avessas, iniciativa voltada ao enfrentamento do racismo no Brasil, denunciando uma de suas formas mais naturalizadas e, portanto, pouco visíveis.

 

A linguagem está longe de ser um território neutro; pelo contrário, é um palco onde se articulam as disputas por hegemonia. De seu potencial emergem não apenas ferramentas de dominação, mas também vetores indispensáveis para a criação de formas de vida mais dignas. As palavras movimentam o corpo, amparam o pensamento e organizam a sociedade.

 

“Palavras como denegrir (tornar negro), buraco negro, lista negra, ovelha negra, feito nas coxas, trabalho de preto, cabelo de Bombril têm sido um pesadelo e mais um instrumento de tortura e desqualificação, principalmente das infâncias negras”, como se pode ler na introdução desse importante material de caráter pedagógico elaborado pelo CDESS.

 

É preciso ser refutada veementemente a alegada neutralidade da linguagem. Ela constitui a arena central na qual se definem e disputam as práticas hegemônicas, abrangendo todo o tecido social. A nossa relação com as palavras — solo fértil para a emancipação — precisa ser ativamente reconfigurada em prol de uma sociedade mais justa, em todos os âmbitos.

 

Contando com contribuições das Conselheiras Negras do Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável e do Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde, assim como do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura, a publicação enfatiza: “Não é natural que a comunicação e a língua materna classifiquem pessoas em superiores e inferiores, de acordo com a cor da sua pele”.

 

Com tudo o que se sabe hoje, não se pode senão rejeitar a tese da neutralidade linguística. As palavras são o espaço primário onde se moldam os discursos de poder e as práticas hegemônicas (muitas vezes opressoras). Porém, o papel da linguagem transcende a mera possibilidade: ela tem o dever ético de atuar como um legítimo instrumento de contestação e resistência, nutrida pela empatia.

 

O Glossário às avessas está disponível em: https://cdess.gov.br/app/pdf/plen5_mat_glossario_avessas.pdf.

 

A Escola da Magistratura do Estado do Espírito Santo (Emes) e o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES) reafirmam o compromisso inegociável de combater o racismo e à discriminação étnico-racial, fazendo desse enfrentamento um dos pilares mais relevantes da missão institucional do Poder Judiciário capixaba, a fim de propiciar a igualdade, a inclusão e a plena dignidade de todas, simplesmente todas as pessoas.