TJES inaugura Banco Vermelho e reforça ações de enfrentamento à violência contra a mulher

Instalado na sede do Tribunal, banco é símbolo de conscientização, prevenção e mobilização no enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio.

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) inaugurou, nesta quarta-feira (19), o Banco Vermelho, símbolo de conscientização e mobilização pelo enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio. Os mobiliários, doados pela Prefeitura de Vitória, foram instalados na sede do Tribunal, na Enseada do Suá. Um está na área externa e, outro, na entrada.

A presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, destacou que o enfrentamento à violência doméstica exige diálogo e atuação conjunta entre as instituições para garantir proteção às vítimas.

“É importante o diálogo entre as instituições para que nenhuma mulher enfrente sozinha a violência doméstica, mas seja amparada por todas as instituições”, afirmou a presidente, que também parabenizou o trabalho desenvolvido pela supervisora e pela coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar.

A iniciativa está alinhada ao Programa Banco Vermelho, instituído nacionalmente como instrumento de conscientização e prevenção da violência contra a mulher. A proposta é utilizar bancos instalados em locais públicos e de grande circulação para provocar reflexão e, ao mesmo tempo, divulgar informações sobre a rede de proteção.

Símbolo

A supervisora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, desembargadora Rachel Durão Correia Lima, ressaltou o caráter simbólico da instalação e a importância da união entre as instituições e a sociedade no enfrentamento à violência de gênero.

“A presença de vocês aqui é muito importante porque demonstra que estamos unidos nessa luta, no enfrentamento à violência de gênero no nosso Estado”, afirmou.

A desembargadora agradeceu o apoio da presidente Janete Vargas Simões às iniciativas da Coordenadoria da Mulher e às ações de proteção e defesa das mulheres, além da parceria da Prefeitura de Vitória para que os bancos fossem entregues ainda durante o Agosto Lilás.

Ao explicar o significado do Banco Vermelho, a desembargadora lembrou que o movimento teve origem na Itália, em 2016, e ganhou repercussão internacional como ferramenta de conscientização e prevenção.

“O banco vermelho é um banco vazio porque representa o último lugar ocupado por uma vítima de violência doméstica. E vermelho porque representa o sangue derramado por essas vítimas. Hoje, ele está sendo colocado aqui, no coração da Justiça capixaba”, destacou.

A supervisora também chamou atenção para o significado que a instalação assume dentro do Poder Judiciário. Segundo ela, por trás de cada processo, sentença ou medida protetiva existe uma mulher e uma história.

“Que todos que passarem por esse banco, sejam magistrados, servidores, colaboradores, visitantes ou jurisdicionados, possam olhar para ele e se perguntar: o que eu posso fazer para que nenhuma outra mulher ocupe este lugar?”, ressaltou.

A coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, juíza de Direito Thaíta Campos Trevizan, reforçou a dimensão educativa e social da iniciativa.

“O Banco Vermelho é um movimento de grande caráter educativo e social, que convoca todos a sentarem para refletir e levantarem para agir contra a violência doméstica”, afirmou.

A magistrada destacou ainda que grande parte das agressões contra as mulheres ocorre justamente dentro das relações afetivas e no ambiente doméstico, espaço que deveria representar segurança e proteção.

“É importante registrar números que são impactantes: 80% das vítimas são agredidas pelos seus companheiros ou ex-companheiros e 60% são agredidas dentro da própria casa. Então, o lugar que deveria ser de resguardo e de paz muitas vezes não é”, pontuou.

Mobilização

A solenidade reuniu representantes do Judiciário e de outras instituições públicas. Participaram o vice-corregedor-geral da Justiça, desembargador Robson Luiz Albanez; e os desembargadores Sérgio Ricardo de Souza, Fábio Brasil Nery e Luiz Guilherme Risso.

Também estiveram presentes o secretário-geral do TJES, juiz de Direito Anselmo Laghi Laranja; a juíza auxiliar da Presidência, Brunella Faustini Baglioli; a prefeita de Vitória, Cris Samorini; a secretária de Estado das Mulheres, Fabiana Malheiros; e a juíza de Direito Isabella Rossi Naumann Chaves, ouvidora do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) e diretora da Escola Judiciária Eleitoral.

Durante a solenidade, o desembargador Sérgio Ricardo de Souza ressaltou especialmente a responsabilidade dos homens no enfrentamento à violência doméstica.

“Nós, homens, temos que tomar as iniciativas e nos conscientizar de que precisamos mudar e também contribuir para mudar outros homens, para que tenham consciência de que com violência não construiremos uma sociedade justa e uma sociedade de paz”, afirmou.

Destacou também que o Banco Vermelho se soma a outras iniciativas legislativas e políticas públicas de combate à violência doméstica contra a mulher.

A prefeita Cris Samorini também ressaltou a importância da colaboração entre as instituições e da participação dos homens na transformação dessa realidade. Ao abordar as políticas públicas desenvolvidas em Vitória, citou períodos em que a Capital permaneceu sem registros de feminicídio e defendeu a continuidade das ações de prevenção e proteção.

“Política pública bem feita traz resultado”, afirmou. A prefeita também destacou a ampliação do número de mulheres atendidas com o Botão do Pânico: segundo ela, até 2025 eram 27 mulheres utilizando o dispositivo, número que chegou a 43 neste ano.

O banco foi doado pela Prefeitura de Vitória, que também assumiu os custos de instalação, sem ônus financeiro ou operacional extraordinário para o Tribunal.

 

Vitória, 19 de agosto de 2026