Ferramenta de Inteligência Artificial criada no Judiciário capixaba está entre as seis selecionadas na primeira edição do Conecta.
A LuzIA, ferramenta de Inteligência Artificial desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), está entre as seis soluções tecnológicas selecionadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na primeira edição do Conecta. A escolha abre caminho para que a tecnologia criada no Espírito Santo seja aprimorada com vistas à sua disponibilização para outros órgãos da Justiça brasileira.
Batizada de “LuzIA – Analisador de Projetos de Sentença”, a ferramenta utiliza Inteligência Artificial Generativa para auxiliar na análise técnica de minutas de sentença elaboradas por juízes leigos nos Juizados Especiais Cíveis, Criminais e da Fazenda Pública do Espírito Santo.
A LuzIA foi disponibilizada pelo TJES em junho deste ano e surgiu diante do aumento da demanda nos Juizados Especiais e da necessidade de proporcionar mais agilidade, segurança e padronização à análise das minutas.
A solução foi idealizada pelo servidor Juliano Cardoso Bolzan, chefe da Seção de Apoio à Coordenadoria dos Juizados Especiais, e desenvolvida em trabalho conjunto pelo Laboratório de Inovação e Inteligência Artificial (LI²), pela Supervisão dos Juizados Especiais e pela Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do TJES.
Conecta
O Conecta é uma iniciativa do CNJ voltada à identificação, ao aprimoramento e à disseminação de soluções tecnológicas desenvolvidas no próprio Poder Judiciário. A proposta é aproveitar ferramentas que já apresentem resultados nos tribunais e tenham potencial para atender a necessidades comuns de outros órgãos, promovendo cooperação, compartilhamento de conhecimento e melhor aproveitamento dos recursos públicos.
Na primeira edição do edital do Conecta, o CNJ selecionou seis ferramentas desenvolvidas por tribunais brasileiros. Entre elas está a LuzIA, do TJES.
“Foi com satisfação que recebemos a notícia da escolha da LuzIA para o Conecta, tendo em vista ser a primeira ferramenta operacionalizada pelo Laboratório de Inovação, que certamente irá contribuir para a resolutividade dos trabalhos do Poder Judiciário brasileiro”, disse o vice-presidente do TJES, desembargador Fernando Zardini Antonio, responsável pela supervisão do Laboratório.
As soluções selecionadas ingressam em um processo de aceleração e aprimoramento, com atividades voltadas à evolução tecnológica e à preparação das ferramentas para uma possível adoção mais ampla no Judiciário.
A iniciativa também busca evitar a duplicação de esforços, permitindo que uma solução desenvolvida por determinado tribunal possa, depois de preparada para a nacionalização, ser aproveitada por outros órgãos que enfrentam desafios semelhantes.
Trabalho
O sistema automatiza diferentes etapas do trabalho. Os documentos são inseridos em uma fila de processamento e a ferramenta realiza a leitura dos textos, inclusive de documentos digitalizados, protege dados sensíveis das partes e utiliza modelos avançados de Inteligência Artificial para realizar a análise técnica das minutas. Ao final, a LuzIA apresenta os resultados da análise para auxiliar o trabalho dos magistrados, contribuindo para dar mais agilidade à atividade sem afastar a necessária supervisão humana.
Quando a ferramenta foi disponibilizada, a estimativa do TJES era de uma redução significativa no tempo necessário para análise e correção das minutas. Um procedimento que levava aproximadamente dez minutos poderia ser reduzido para cerca de dois minutos com o apoio da tecnologia. Considerando o volume de trabalho dos Juizados Especiais, a expectativa apresentada pelo Tribunal é de uma economia superior a R$ 4 milhões por ano. Somente em abril de 2026, foram homologadas 9.006 minutas no Espírito Santo, uma média de 71 por magistrado togado.
Além da análise automatizada, a LuzIA também possibilita o acompanhamento de informações relacionadas à produtividade e ao funcionamento dos Juizados Especiais, transformando dados em subsídios para a gestão e para o aprimoramento da prestação jurisdicional.
O próprio nome da ferramenta guarda uma ligação com o Espírito Santo. A inspiração veio do Farol de Santa Luzia, localizado em Vila Velha. A denominação reúne a ideia de “luz” à sigla “IA”, de Inteligência Artificial, além de fazer referência a um dos pontos turísticos do Estado.
Vitória, 18 de agosto de 2026








